sexta-feira, 10 de agosto de 2012

A Rosa



Meu nome é Rosa
Como qualquer outra flor sou cheirosa

Amarilis, branca em degrade
Linda de doer!
Da gosto de ver

Cravo, nunca brigou comigo
É doce, é amigo

Orquídea, essa é famosa
Formosa, graciosa...

Frésia não aceita rotina
As cores dela combatem paradigmas

Afinal, em meios tantas diferenças
Quais são as coincidências?

A flor é sempre mais bela
Quando sua beleza é apreciada
Acolhida, amparada

Então vem o jardineiro
Ligeiro, sorrateiro

Passa-me um olhar
Singular...

Toca-me levemente
Seduz-me inevitavelmente

Sente meu cheiro
E fez de mim, e em mim
Um cativeiro

Cativos de sentido
Dispus-me
Dispos-se.

Meu nome é Rosa
Como qualquer outra flor sou cheirosa

Recebi de um jardineiro carinho
E assim a beleza, o perfume, a singeleza
As flores, a vida

Teve outro sentido

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Deus é poesia


 Quem aqui não tem no coração um território que desconhece? Curioso fato, o desconhecimento próprio... Porém, muito comum, presente em qualquer um. O reconhecimento já é o primeiro passo para o conhecimento. Reconhecer-se limitado, incompleto, logo, humano. 
Quem aqui não sente o vestígio daquela dor, aquela que por algum motivo não se vai, parece ser eterna, que incomoda, machuca, sufoca, mesmo depois de alguns anos do seu apogeu... Vai me dizer que depois de tanto tampo “cê” ainda encontra razão (material, nominal ou afins) pra sentir isso tudo? De uma forma tão viva, tão íntegra, recente...
 Nada mais perplexo que o próprio desconhecimento, e “se bobia, nego logo começa a questionar: Deus existe?”, curioso... eu descobri a presença de Deus na ausência da certeza. Não que a incerteza me conforte, é que através dela aprendi a valorizar a mística da vida. Olhei por outras janelas, encontrei a natureza e a poesia.
 Quando o dia esta nublado sinto que a tristeza da alma se sente compreendida. Se temos territórios interiores que não conhecemos, nada mais apropriado que o cinza, cor de poucas tonalidades, nos chamar a atenção. Assim como os dias de primavera, onde o que se destaca as cores, as vibrantes! Equalizam-se aos nossos corações num mesmo batimento.
 Ahh, impossível não suspirar com a poesia! A natureza compreende, a poesia verbaliza a tristeza de nossa alma. Se acompanhada com a melodia, a poesia transforma-se na mais pura nascente. Sem culpa, sem trapaça. Enxuga a alma encharcada de mazelas, brota lágrimas com novo sentido, novo sentimento, lágrimas do amadurecimento. A poesia grita por milhares de dores silenciadas, sorrir por sorrisos incompreendidos, deita, levanta, acompanha pés calejados. Vejamos o seguinte poema:

“De repente aquela esquina era mais que um lugar
Era quase exato tudo que havia em mim
Solidão, conforto, coração, se esvaindo
Como os tons da tarde morta lá no céu”

 Infelizes são os humanos que acreditam no mito do amor romântico, herói da pátria, valores incorruptíveis, enfim, tantas projeções incabíveis a nós mesmos que mal nos conhecemos, imagine numa outra pessoa?!  Quem nunca se decepcionou com as próprias projeções? Quem nunca viu cair por terra o pedestal que colocou a própria mãe, o pai, o amigo (a), o namorado (a), o teórico (a)...? Subitamente, tudo que projetamos com tanto carinho e ilusão, se desmorona. As palavras fogem, os sorrisos apagam, os significados se confundem. Já não olhamos mais para aquelas “esquinas” e vemos o que víamos antes. Vem assim, inesperadamente, afinal quem espera pela desilusão?
 Então alguém coloca palavras na nossa boca, acompanhadas de arranjos musicais ou não, mas palavras que transmitem, que significam, que sorrateiramente nos alcançam. E assim, com poucas perguntas, doses homeopáticas de autoconhecimento, e conforto no peito, confirmo: é Deus, se não for o Senhor não faz sentido ser quem eu sou, onde eu nasci de onde eu vim. Se não for o Senhor, não é mais ninguém pra mim!

“Seu destino cego a lhes conduzir
Sua sorte à solta a lhes indicar um caminho
E dançavam lá em meio a tanta gente
Se encontraram ali

Cai um temporal lá fora
Onde irão vocês agora?

E tudo aconteceu
Quando as mãos se tocaram
Quando os olhos nem viram
Quando a noite chegou

E tudo estremeceu
As paredes do tempo
Os telhados do mundo
As cidades do céu

Eram os dois avessos aos normais
Ela com os pés no chão, e o chão se abriu
Um abismo
E dançavam lá, em meio a tanta gente
Se perderam ali”

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Síntese


Dói sempre assim Senhor?
Desabam-se lágrimas sensivelmente como água em nascente, sempre?
Até descobrir que “felicidade” é Deus quem soletra...
Que sozinhos nessa estrada ninguém se completa...

Quando dói assim Senhor
Gosto de imaginar que o machucado esta se fechando!
E quando me esforço pra sentir de novo
Lembro que teve dias que doeu mais
Daí imagino que quando doeu mais
O estilhaço de bala estourada estava sendo retirado de meu útero

Já tive um útero tão fértil!
Desenvolvia tantos sonhos!
Alimentava, cuidava...
De que mesmo serviu, Senhor?

É sempre assim?
Desabam-se sonhos a cada lágrima de um útero não fecundado?
Desaba-se pele a cada ano de uma vida sem vida?

Prefiro que desaba-se em mim maturidade
E que venham as rugas com elas!
A idade avançada, a idade da síntese...
O que fica é o que realmente valeu a pena a vida toda
Cicatrizes e pessoas

E quando da bengala eu precisar
Mais perto de vós Senhor, eu ei de estar!
Não por sentir a morte chegar
Mas por ver na prática da vida, o quanto eu preciso do Senhor para caminhar

Que doa sempre assim Senhor!
Doa de doer e aprender
Doa de doar e se entregar
A cada fase da vida que por ela eu passar.

sábado, 5 de maio de 2012

Vínculos em laço

 Certo dia me pus a pensar sobre um amor, uma música, uma construção cultural. As referências que me vieram a cabeça não podiam ser diferente, Samuel Rosa, Pe. Fábio de Melo e Mário Quintana  respectivamente:

"Éramos nós
Um mais um
Éramos mais que só dois

Éramos um
Feito de dois
Mais que nós dois
Nunca então sós

Eu era eu quando era nela
Ela em mim como ela era

Soma sem subtração
Múltiplo sem divisão
Dois que se amavam
Então, éramos multidão

E na matemática torta
Da vida que sem ela
Dois menos um é zero
Eu não sou nada do que eu era!" 

 Construir vínculos, construir relações que nos acrescentam, que se multiplica. Ser "mais que dois" em uma única sintonia, e manter a autenticidade. Manter a forma própria de sermos, estarmos, fazermos, concomitantemente entrelaçado com outro que também se confere a mesma propriedade. Exatamente dessa forma, inexata mas perfeita, relacionar-se como humano, divinamente humano!

"Sempre que falamos de mito do amor romântico, estamos, de alguma forma, evocando um inconsciente coletivo fortemente influenciado pela interpretação deste mito a respeito das relações amorosas. 
 Jung, grande nome da Psicologia contemporânea, demonstrou, por meio de sua reflexão, que quando um indivíduo vive um importante e marcante fenônemo psicológico, um grande potencial inconsciente está vindo à tona, emergindo, prestes a manifestar-se ao nível da consciência. Segundo ele, o mesmo pode ser dito quando o assunto é coletividade. Do inconsciente coletivo de um povo pode surgir uma nova ideia, crença, paradigma, que é mantida por este povo. (...)
 O conceito de amor não pode ser aprisionado por esta visão romântica do mito, que não sabe considerar os limites como positivos para o crescimento humano. Tampouco pode reduzir o desejo à condição de prazer. 
 O sonho que sonhamos não pode ser projeção infértil. Ele tem que estar sempre preso à realidade, afinal, é nela que estamos sustentados. 
 O que temos e podemos é a aventura de encontrar alguém, e ao lado dele construir uma história de vida comum, felicidade que nasce do duro processo de sermos promotores uns dos outros por meio do amor que sentimos. 
 A vida nos demonstra que a gênese das frustrações humanas está na inadequação entre aquilo que sonhamos para nossa vida com aquilo que de fato nos acontece. Somos incentivados a sonhar alto, a projetar grandes empreendimentos e a colocar nossos esforços para extrair o máximo que pudermos da vida. Não há nenhum erro em tudo isso. O grande problema não está em sonhar alto. Isso é fácil. O difícil está em continuar vivos quando o pedestal do sonho não suportar o nosso peso e dele cairmos. (...)
 E claro que a vida não é possível sem as projeções. O importante é estabelecer um equilíbrio entre aquilo que projetamos e aquilo que podemos esperar de nós mesmos. Em cada pessoa existe uma condição, um estatuto que a identifica, como limites e possibilidades. O equilíbrio se dá nessa junção. Entre o que podemos e o que não podemos está o espaço do crescimento que nos favorece a conquista da condição de pessoa. (...)
 O mito do amor romântico parece fortalecer nas culturas o desejo que o ser humano tem de encontrar no seu mundo exterior a solução para suas imperfeições. É quase uma camuflagem. Desejosos de curar as consequências de nossas precariedades, passamos a buscar nas coisas, nas pessoas e nas situações, o remédio que nos sanaria de nossas incompletudes." (adaptado)

A sagrada Hollywood e/ou a épica Disney. A maçã que envenena a sanidade de muitas crianças, jovens, adultos, idosos. Estéril palco das construções culturais mais comuns do mundo. "O mito do amor romântico", uma das mais banais e mesquinha doença cultural. Delimitando nossa humanidade a um formato mínimo, improdutivo, ilusório. Disseminando um sentimento vazio, indiscreto, comercial, frio.
 O sentido do amor perfeito, cara metade, alma gêmea, e afins pouco se faz útil. Ama-se esperando... desejando... sonhando... Não se ama para crescer, aprender, revisar conceitos. Qual é a utilidade do córtex que só projeta? Projeta utopias que não nos faz caminhar, nos faz esperar... desejar... sonhar... Qual a utilidade de ser humano e não respeitar essa condição? Desrespeita o limite comum a nós todos, e ao invés de vemos-o como fronteira para outro espaço, outra perspectiva, outro olhar, o limite se torna o fim. Ao invés de enxergar o limite alheio como desafio que acrescenta, enxergamos-o como defeito. E depois que este vínculo que criamos se desfaz ainda temos a infelicidade de difamá-lo por pura falta de criticidade!
 Que triste fim é este que nos põe vítima da própria projeção que não demos conta de questionar. Que triste é esse fim que nos rouba a personalidade. Abrigar-se em desejos profanos. Profanos por nos mascarar, aprisionar, estagnar nosso desenvolvimento.

"Meu Deus! Como é engraçado!
Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... Uma fita dando voltas.
Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o laço.
É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço.
É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço.

E quando puxo uma ponta, o que é que acontece?
Vai escorregando...
Devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.
Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.
E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.

Ah! Então, é assim o amor, a amizade.
Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita.
Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora, deixando livres as duas bandas do laço.
Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.

E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços.
E saem as duas partes, igual aos meus pedaços de fita,
Sem perder nenhum pedaço.
Então o amor e a amizade são isso...
Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço..."

 Como é simples! Como é simples cuidar de nossos vínculos! Como não dói desvincular-se de alguém quando se entrelaça, ao contrário de quando se prende forçadamente em nó. O laço dá forma a fita, deixando-a bela, singela, firme, mas disponível para deixar sua forma se ir... O nó não, quando um relacionamento vira "nó" as marcas são fortes, demora a desamassar... E ainda não permite a construção de uma circularidade bonita como a do laço. Ah... O nó é triste! É seco, não destaca a cor da fita. Quando construímos vínculos em forma de nó, muita beleza nos torna indisponível.
 Vincular-se em laço é presentear a si mesmo, é enfeitar-se, colorir-se, torna-se delicado ao mesmo que firme. Completar e ser completado... E quando o namoro termina, a mãe morre, o amigo deixa de ser amigo, nada se perde, apenas se transforma. E recria sua forma, de outras formas!
 

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Um conselho à alguém



 Se eu for designada a dar um conselho a alguém, independente de quem fosse, eu diria: se conheça, seja apenas seu e de mais ninguém!
 Digo isto compartilhando sentimentos próprios, já tentei muito respeitar tanto a opinião do outro ao ponto de aconselhá-lo coisas que imaginei que ele gostaria de ouvir, não para necessariamente agradá-lo, apenas por acreditar que assim estava sendo menos egoísta ao tratar de seu assunto sem espelhar nas minhas vivências. Mas nossa capacidade de acrescentar algo a alguém vem exatamente das nossas experiências. Expressar-nos como realmente somos é muito mais interessante e rico do que nos preocuparmos com os outros, principalmente em “agradá-los”.
 Existem solidões inverbalizáveis, que nem nós mesmos conseguimos exprimi-las. Acredito que é neste profundo vazio que temos a oportunidade de nos conhecer, de filtrar nossos desejos, nos descobrirmos como realmente somos e não como nossa cultura, nossa “adorável” sociedade capitalista nos sugere ser, estar, desejar.
  Se eu for designada a dar um conselho a alguém, independente de quem fosse, eu diria: inspire-se em coisas construtivas, nem simples demais ou exacerbadamente eruditas, coisas que lhe toque no profundo, coisas que lhe remetem a um momento, um sentimento. Coisas que lhe transforme!
 Músicas e leituras muito me expressam. Gosto de me divertir em todos os lugares independente do estilo musical, os estilos das pessoas me incomodam muito mais... Por enquanto.  Mas gosto de músicas que dizem o que sinto, o que penso, o que questiono. As que enunciam desejos materiais ou desejos imaturos, hoje em dia pouco me chamam a atenção. Mas já fizeram parte do que eu achava ser, e quando aprendi a me ver como realmente sou, muito mais aprendi com esse antigo modo de expressar minha personalidade.
 Sou explicitamente apaixonada pelo meu curso, História. Mas se me sobra um momento de lazer eu fujo das teorias e caio na poesia! Ahh, essas me fascinam! Exprimem a solidão que estou aprendendo a identificar, retomam minhas memórias mais submissas ao esquecimento, e de repente volto a ver o que um dia foi importante para mim, e aqui estão de novo, onde deveriam estar... Em evidência! Mas o interessante é que a busca da poesia já estava inata em mim, e foi intensificada através de teóricos preocupados com o desenvolvimento humano. É sempre mais fértil misturar nossas tendências pessoais, nasci dali um aprendizado que individualmente seria bem mais difícil ou bem menos rico.
  Com o tempo nem precisamos mais de inspirações para recordar aquilo que nos fez parte um dia, e que por algum motivo, provavelmente supérfluo e mesquinho, se escondeu em nossa memória. Com o tempo, até mesmo em um diálogo numa mesa de bar, um amigo dizendo sobre si próprio, lhe lembrará do que lhe é importante. E isso é um sentimento único, tão precioso! O desenvolvimento da capacidade de se conhecer.
 Ahh, se eu for designada a dar um conselho a alguém, independente de quem fosse, eu diria: não perca a oportunidade de se reconhecer, seja quem você é. Chore, grite, se decepcione consigo mesmo, mas não minta. Não espere a idade avançada para amadurecer suas preferências, você pode viver exatamente o que deseja quando quiser. Personalidade não tem idade, acredito ser uma questão de oportunidade que só você pode se dar. 
Fecho essa reflexão com Fernando Pessoa, e um extrato do seu poema "Tabacaria":


"Fiz de mim o que não soube e o que podia fazer de mim não o fiz. O dominó que vesti era errado. Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me. Quando quis tirar a máscara, estava pegada à cara. Quando a tirei e me vi ao espelho, já tinha envelhecido. Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado. Deitei fora a máscara e dormi no vestiário, como um cão tolerado pela gerência por ser inofensivo. E vou escrever esta história para provar que sou sublime."

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Desabaf... oh!


Tem coisas que tem que serem ditas!
A um psicólogo, amigo, Deus, ao foco.
Nem tudo a gente carrega sozinho, é por isso que nos relacionamos com tantas pessoas.
Na verdade nada a gente faz sozinho, só nossas escolhas... Mesmo assim, vem carregadas de companhias!
O silêncio nem sempre é justificável.
Se calar? Enquanto na alma há um terremoto acontecendo?
Se calar? Para apresentar-se como uma pessoa centrada e madura?
Se calar... Quando se é possível superar.
E se não for? O que justifica o silêncio?
Orgulho, medo, muros... Redundância.
A sentença é simples: o silêncio injustificável corrói, destrói, mói, dói.
Dizer algo a alguém além de si mesma pode ser um remédio.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Do caus ao furacão


É uma dor aguda, uma dor sem nome, sem cor, sem toque. Por isso é tão forte.
Uma dor de memória, de sonhos, de possibilidades.
Uma dor de perguntas sem respostas.
Dor que dói os ossos, esfria o estomago, acelera o coração, seca lágrimas.
Dor daquilo que não foi vivido, sentido, ouvido.
Dor do vazio...

Mas as lembranças, ah! Essas são de fazer o sujeito perder a voz!
Cada esquina, cada olhar, uma recordação.
Letras, palavras, orações, frases... Recheadas de lembranças.
Lembranças agudas, com nome, com cor, com textura. Por isso são tão fortes.

Por isso é tão difícil, são dores e lembranças heterogêneas demais pra caber dentro de um mesmo ser. São perguntas demais, sentimentos demais. Racionalidade e irracionalidade se colidem.

É, eu vou de volta ao começo. Do caus ao furacão.
Por uma alma equilibrada e um córtex eficiente.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Limitações

Não quero ser escrava das minhas limitações, devo a todas elas muito respeito.
Elas me lembra o tempo todo que não posso tudo, não tenho tudo, não aguento tudo, não sou tudo.
Elas põem meus pés no chão, me desafiam, me confundem.
Muitas das minhas limitações são bem comuns, mas meu jeito de olha-las é único, e de senti-las, traduzi-las.
Então é aí que reconheço-me como humana, tão singular, tão preciosa! Que por mais "clichês" que sejam meus desafios, eles são meus e deles eu faço o que quiser!
O limite pode ser enxergado como o final, aquele que me impede, me paralisa, que diz "já deu pra você". Ou pode ser visto como um novo ponto de partida, o que me faz dar mais um passo para o inesperado, e me propõe assim uma nova oportunidade de ampliar minha visão e de se apresenta como fronteira.
Valorizando nossas fronteiras (ou limites, como desejar ver), todo e qualquer obstáculo encontrado a caminho de um objetivo tem um significado especial tanto na glória quanto na derrota. A glória de conquistar e se superar, ou a glória de chorar e aprender que nem sempre estamos preparados para lidar com novos territórios, que o mundo não gira em torno das nossas vontades, aprender a olhar para aquilo que nos é essencial, que verdadeiramente precisamos, nos auto conhecer. A fronteira pode ser um bom delimitador daquilo que eu preciso x desejo.

Às minhas fronteiras, um muito obrigada! Andem sempre comigo, eu preciso de vocês para crescer, amadurecer e entender um pouco mais sobre felicidade e sobre eu mesma.

domingo, 1 de abril de 2012

O humano desumano


 O que existe em variedade nesta sociedade é incoerência, as vezes muito bela, as vezes catastrófica. O que, ao contrário, deveria colorir o mundo em múltiplas formas e conteúdos é a autenticidade.
 Isto que compartilho é um caso clássico, triste e DESUMANO de contradição, alienação, falta de personalidade e de criticidade.
 Ser humano é ser livre! Não é se apropriar de ideologias burguesas medíocres, não é querer o "bem estar social" através de uma "higienização humana" eliminando tudo que é desagradável a nossa visão limitada e pré-determinada por terceiros.
 Ser humano é ser RACIONAL, usar seu cérebro, e antes de achar conveniente uma "solução prática para um mundo perfeito", deveria ser tendência usar da capacidade exclusiva do homo sapiens de pensar de forma crítica e trabalhar a modificação do meio ao redor em seu favor.
 Dizem que só animais "racionais" como nós são capazes disso, e o que vemos aqui? Um retrocesso, o humano escolhendo ser animal. E o que é mais triste: abdica-se da humanidade própria de cada um, por valores sociais infundamentaveis.
 Se uma pessoa diz "bandido bom é bandido morto" e sonha com um mundo justo, usa o cérebro APENAS pra funções biológicas. O cara é um animal.
 Que falta de humanidade desejar uma "higienização social" as custas da vida de outras pessoas!
 A palavra "humanidade" que uso aqui não é sinônimo de compaixão ou bondade, e sim de RACIONALIDADE. As pessoas simplesmente não pensam.
 Chamo os humanos irracionais de animal por eles se equipararem nas limitações cerebrais. Mas a organização "irracional" dos animais é claramente mais plausível que a nossa.
 Quanto mais eu reconheço minhas prisões, minhas limitações em questionar e/ou modificar posturas, mais me incluo no processo do uso pleno da liberdade, e ainda assim, mais livre me sinto. Estou longe de alcançar a liberdade que sonho, mas reconhecer que tenho e a que tenho já me faz muito feliz!

sábado, 17 de março de 2012

Furor

Se me perguntarem o que me tira a paz...
O seu nome, eu diria.
E lamentaria
Pelo o que poderia
Mas não foi.


segunda-feira, 12 de março de 2012

Olá Querido III


Que brincadeira de mal gosto em? Eu aqui, entregando paulatinamente toda minha alma e você aí, inerte, covarde, roubando-me de mim.

Não sei até que ponto você se rendeu a mim, só sei dos fatos, e o fato é que no momento em que você tem que tomar uma postura, você foge, corre, praticamente morre.

E eu fico aqui, a ver não sei o que, menos você.

Não sei como lidar com essa situação, e olha que já ultrapassa a décima vez que se repete. Mas você querido, tem a maléfica habilidade de me fazer renascer pra você inúmeras vezes, perdoar, amar, compreender, querer.

Perdi a poesia. As vias coloridas. A alegria.

Mas isso é uma condição temporal, e não determinante. Amanhã quando o tempo de sofrer for vivido e sentido, eu voltarei a ser poetisa, a ver as cores pelas avenidas, valorizar as alegrias simples do dia a dia.

Sabe por que? Simplesmente porque minha vida é tão preciosa! Eu investi tanto nela! E não vai ser por um covarde que vou perder a dádiva de ser alegre! Até mesmo porque existe dores mais agudas que as provocadas por um indivíduo que sofre de falta de autenticidade.

Mesmo que eu lhe dirija a palavra com rispidez, quero que saiba que eu tento me colocar no seu lugar. Tento de verdade. Talvez isso não seja tão bom pra sua imagem porque, conhecendo-o como (acho que) conheço, tudo se resume a "covardia".

Por mais intensa que seja a dor de sofrer por algo fora do seu alcance, fora do seu campo fértil de ações, eu dei o meu máximo! Entreguei-lhe a minha alma! Abaixei minhas defesas do orgulho por amor. Porque sempre fui honesta. E tristeza nenhuma supera essa alegria que é ser honesta consigo mesma e com outros a todo o tempo.

É isso que me faz respeitar a dor da perda, e a alegria da mesma. Eu não consigo pensar em você e sentir que "podia ter feito mais..." ou pior ainda, "onde foi que errei?", não tenho interesse em perguntas inférteis. O que me interessa aqui são as atitudes.

Lamento profundamente por termos perdidos a oportunidade de dividir nossas cores, mas se não aconteceu foi porque você quis, e infelizmente tenho a certeza que quem vai sofrer mais com isso é você. Sua postura fraca não permite outro resultado.

Torço por você, sempre será assim. Mas como já disse, minha vida é muito preciosa, investi muito nela, não vai ser por causa de um covarde que eu vou perder a dádiva de ser alegre.

Espero que tenha aprendido algo com tudo isso, o que aqui lhe dedico não é nem a ponta do iceberg que com você tive o prazer de conhecer. Só a dor nos faz crescer, depende de como lidamos com ela.

Chore, arrepende-se, mude. Dedique-se ao máximo para uma outra pessoa, você tem um grande potencial. Boa sorte.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Por William Shakespeare

"Extrapolei os sonhos! Vivenciei as mágoas! Convivi com os fracos! Suportei os falsos! Me mantive em pé. Varri da alma, o desprezo inútil e a descrença falsa! Reabri meu coração à vida, deixei florescer a ternura. Olhei em volta de mim para o céu sem fim... Aceitei o mundo... Aceitei a vida... Aprendi a me amar, sem mandamentos, pela simples razão de amar. Se cheguei onde estou foi graças ao que vivi, sofri, sorri, corri."

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

"Isso é o progresso!"

 Uma coisa que tem me feito refletir hoje é imaginar a utilização da frase "isso é o progresso!" em diferentes tempos da humanidade.
 Imagino um primata lá na Pré-História descobrindo o fogo em contato com a pedra e "balbuciando" para seu colega: isso é o progresso!
 Imagino no ano 10.000 A.C. a descoberta da agricultura e a fixação do homem em um lugar, os patriarcas dizendo: isso é o progresso!
 A fundição do bronze, invenção da roda, domesticação dos animais, uso da lã... “Isso é o progresso!”.
 Então de repente chegamos a Idade Antiga e vemos o Código de Hamurabi, a escrita, consolidação das cidades, religião monoteísta, os grandes Faraós, o início da expansão comercial e naval dos Fenícios, as cidades-estados da Grécia e seus filósofos, nascimento de Roma, a fundação da biblioteca de Alexandria e Alexandre, O Grande, dizendo: isso é o progresso!
 A Era Cristã, que precede a Idade Média, com o nascimento de Jesus Cristo, auge e declínio do Império Romano, Constantinopla como capital mais influente no mundo eurocêntrico, período clássico e riquíssimo da civilização Maia, os avanços dos Hunos na Pérsia e na Índia... Para cada qual: isso é o progresso!
 Então a Idade Média com a reunificação da China e a primeira impressão de um livro, o budismo no Japão, fundação de Bagdá, árabes conquistam as Alexandrias, apogeu dos Maias, completo fim do Império Romano, expansão Inca, cruzados em Jerusalém, a Igreja Católica e seu Estado, as conquistas de Gengis Khan e seu genocídio, Joana D’arc, Henrique V, as grandes navegações chinesas: isso é o progresso!
 Os modernos com a reforma protestante, Vasco da Gama contornando a África, a renascença com seus artistas e cientistas, Colombo no norte das Américas, Cabral no Brasil, Otomanos conquistando Síria, Egito e Arábia, Camões, Companhia de Jesus, fundação de Quebec, do Afeganistão, independência dos EUA, Revolução Gloriosa, Revolução Industrial, motor a vapor, genocídio dos povos indígenas, comercio da mão escrava africana: isso é o progresso!
Para nós, contemporâneos, progresso é: Revolução Francesa, Napoleão Bonaparte, Karl Marx e o Manifesto Comunista, Inconfidência Mineira, Doutrina Monroe, Big Stick, Charles Darwin, fim do tráfico negreiro, Guerra Hispano-Americana, Guerras do Ópio, invenção da fotografia, Guevara e Fidel Castro, teoria da relatividade, programa espacial soviético, avião, bomba atômica, ONU, FMI, AIDS, farmácia, Apartheid, Al-Qaida, crise econômica, petróleo, Zapata, Pinochet... “Isso é o progresso!”?
 Citei aqui momentos históricos totalmente embasados na teoria positivista que para mim, é anacrônica e marginalizadora. Mas a intenção não é discutir o ponto de vista de um mesmo ponto, mas apenas refletir sobre uma parte do “progresso” que veio a se desenvolver nessa cronologia eurocêntrica.
 Deixo aqui para cada leitor que reflitam essas palavras com a ajuda do mineiro que tanto admiro, Samuel Rosa, em sua música “Notícia”:

O tempo veio hoje me encontrar
Parando na minha janela
O tempo só chegou pra me dizer
Tudo que não pude perceber

Depois de mudar tanto o que toquei
O tempo vem trazendo algumas marcas
Na rua e no meu coração
Parece que alguém perde a razão

O tempo passa e nunca me avisou
E agora pude perceber
Aqui tão longe, ali bem mais perto de você
Ferve demais nesse verão

O tempo choveu fora da estação
Por isso me chamou pra uma conversa
Na rua e no meu coração
Parece que alguém perdeu a certeza

O tempo veio hoje me encontrar
Ainda quer me dar uma chance
O tempo só chegou pra me dizer
Tudo que não pude perceber

A onda imensa bate e leva a casa que vivi
O vento é forte e fortes não são as cidades que ergui
Algum mal fiz pra tanta resposta má
Do sol, montanha, vento e mar

Existe um céu de mísseis e de escudos contra mim
Um céu de estrelas de cometas me chama
Eu vou pedir, pedir que eu possa prosseguir
Entre o sol, montanha, vento e mar

A luz batendo no meu rosto é o sol mais quente que senti
Queimando planta, gente e tudo que nasce por aqui
Algum mal fiz pra tanta resposta má
Do sol, montanha, vento e mar

O tempo veio hoje me encontrar
Vem me falar de uma chance...

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Aos politicamente engajados.


Quem canta ou assobia na escuridão nega sua ansiedade, mas não passa a ver mais claro. Há dez anos, caímos na estagnação. Vivemos hoje, à beira da depressão e da hiper-inflação. E constatamos, a toda hora, com espanto a vergonha, a enorme distância que nos separa da civilização. É natural que o medo e a desesperança tenha tomado o lugar do nosso habitual otimismo. Mas podemos continuar cantando ou assobiando, e acreditar em homens providenciais, ou em receitas salvadoras aviadas por economistas geniais. Ou encontrar culpados. Isto é fácil e cômodo. Difícil é enxergar mais claro. Há interesses, partidarismos, preconceitos ideológicos, que criam ilusões e ocultam realidades desagradáveis. O debate público não tem ajudado. Mas o mínimo que se exige dos intelectuais é que exponham suas opiniões claramente, sem a pretensão de ditar a verdade, mas também sem medo de desagradas a quem quer que seja.

João Manuel Cardoso de Melo, 1992.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

The dog days are over?


Essa questão é de difícil visão no campo político. Liberdade? Igualdade? Fraternidade? Onde? Ou melhor... Para quem? Ha que preço?

Preço... Tá aí um medidor de liberdade eficiente desse modo de produção vigente na grande parte do planeta: Capitalismo.

Acho interessantíssimo a inversão de valores presentes na sociedade! Como em uma propaganda da: Ford Fusion, the city is in your hands. Ah então agora é isso, essencial mesmo e ter um carro que me faça sentir tão poderosa ao ponto de ter "a cidade em minhas mãos"?

Venho observando também algumas pessoas que dizem realizar-se após a compra de um jato, por exemplo. Mas em nenhum momento se imagina no jato sem uma esposa, um filho, uma família ou sem qualquer companhia que possa pelo menos se gabar.

Mas interessante mesmo foi um desses emails aleatórios que a gente sempre recebe, que dessa vez me surpreendeu quando observei valores sociais, culturais versus valores humanos. O depoimento de um médico da UTI que observou que todas as vezes que um paciente esta para morrer ele nunca fala "deveria ter investido meu dinheiro na empresa tal..." pelo contrário, ele sempre lamenta "deveria ter dado mais amor, deveria ter sido um pai melhor, deveria ter vivido de modo mais ameno, deveria ter revido meus conceitos, priorizado outras coisas..."

Segundo o Liberalismo, Neoliberalismo e afins, todo ser humano é livre. É livre para iniciar a atividade empreendedora que desejar, trabalhar onde quiser... E tem vários direitos garantidos pelo Estado, como educação, saúde, lazer e etc etc etc. E aquele que não se da bem na vida é porque simplesmente não quis, ou é preguiçoso, não é capaz, não deu valor a suas oportunidades, entre outros.

Mas espera aí. Realmente todo sujeito que mora debaixo da ponte está lá por que quer? Ele preferiu não ir a escola? Ele preferiu ser pobre? Ele por livre e espontânea vontade escolheu comer comida do lixo que arrumar um emprego digno?

Mas pera aí. Estado garantindo direitos aos cidadãos enrolando as políticas de reforma agrária e, ao mesmo tempo, aprovando leis de diminuição de áreas florestais em conservação para ampliar pasto de criação de gado de corte dos grandes empresários??? Haja fôlego pra suportar isso.

Fica difícil prestar atenção nos valores que priorizamos, uma vez que nem todos trabalham em UTI. Mais difícil ainda é lidar com a mídia, essa tem o dom de limitar a liberdade, garantir valores individualistas, materialistas e hobbesianos pra nossa cega e prostituida sociedade.

Entre os jovens é muito popular o seriado, estadunidense, Gossip Girl. Referência em moda, lifestyle e até mesmo um "guia espiritual", onde esses jovens se espelham para resolver próprios problemas. Com direito a mais de 10 milhões de "curti" em sua página oficial do facebook.

Trata-se de um "guia espiritual" as avessas é claro. Com a maioria dos jovens admitindo acreditar em um poder superior (Deus, Alá, Oxalá, etc) fica no mínimo curioso a contradição dos conselhos "divinos" versus "midiáticos". Citarei aqui algumas das célebres frases desse seriado e em seguida questionarei.

"Coração vazio é bem melhor que coração partido", depois as pessoas se lamentam que "família", segundo a mídia, é uma instituição "falida". Escolhe amar de tal forma como Bella e Edward da saga Crepúsculo se amam, ao ponto de se limitarem ha um não viver um sem o outro; na primeira (das milhões) frustração se fecha de tal forma a banalizar e desdenhar do amor de uma forma inversamente proporcional de um filósofo tão respeitado pelo mundo cristão inteiro: Jesus Cristo.

"Aprendi que se não podemos arrancar uma página da vida, podemos jogar o livro inteiro no fogo", e daí podemos tirar um dos inúmeros fatores que fazem com que nossa memória tenha "prazo de validade". Logo, ninguém sabe que político votou na ultima eleição, quem se envolveu em qual escândalo e no fim: todo político é corrupto, se eu estivesse lá seria também, é inevitável.

"É de natureza humana ser livre. E não importa por quanto tempo você tenta ser bom, você não consegue esconder uma menina má." Em seguida vemos, por exemplo, briga entre amigas que ambas afirmam que a outra "passou da moralidade que reveste uma amizade, logo não serve mais pra me relacionar". Mas é claro, admitindo essa natureza mesquinha como inerente e inevitável fica difícil mesmo exalar conspiração e se deparar com honestidade.

Essa é a minha preferida: "não deixe que alguém lhes diga que vocês devem ser feliz com o que tem. Sempre ha mais, e não existe motivo para que vocês não tenham tudo". É necessário mesmo tecer comentários? Acho que ficou bem claro que tipo de "valor" aqui sugerido. Seja no lado material ou "sentimental", esse impulso de "você pode e você consegue porque você é capaz" não me soa nada saudável.

Poderia aqui discorrer citações finitas, mas considerarei o suficiente. Sem mais delongas, questiono-lhes: que valores são esse sociedade? Que liberdade é essa? Que ideologia a mídia, o mercado, os cursos técnicos, a grande procura por diplomas em engenharia, os telejornais, os seriados, as músicas e outras infinitas maneias de expressão lhes sugerem? Prestem atenção!!!

Escolher usar saia jeans numa fase em que todos usam saia de cintura alta não deveria ser uma vergonha, deveria ser apenas uma simples questão de escolha. Escolher ser biotecnólogo não deveria ter nada a ver em sacrificar o mercado nacional a favor das multinacionais, das organizações mundiais como a OMC, FMI, ONU... Mas tem! E não fatalizo aqui tudo em "teoria da conspiração", aliás, de teoria isso não tem nada, muito pelo contrários, ha tempos tem sido religiosamente praticado!

Questionem, analise, metamorfose-se mas antes de tudo, faça, pratique e problematize também a L I B E R D A D E e os valores que vem com ela.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Cadê o cigarro na mídia?


Ha tempos venho me indagando sobre isso. Primeiro, a proibição da propaganda televisiva do cigarro, depois a disseminação dos malefícios causados bem no rótulo do próprio produto, logo leis que limitam até mesmo áreas de fumantes e não fumantes; e hoje ao acompanhar as séries de jornais que passam pela manhã na rede globo mais uma: a Europa inteira permitirá a comercialização de apenas uma tipo de cigarro, o que apaga sozinho, e é claro que essa determinação foi por motivos ambientais.

A discriminação da comercialização desse produto, altamente presente entre as pessoas mesmo com tantas "repressões sociais" dado ao fato de ser associado ao "glamour hollywoodiano", vem perturbando minha paz.

Enfim, apresento uma simples teoria, sem qualquer espécie de pesquisa sistemática mas apenas com observações e minha doce tendenciosidade por política.

Minha pergunta inicial sempre foi "o que será que os empresários desse ramo aprontaram contra o Governo para que haja tanto boicote de incentivo comercial, nesse Governo regido pelo neoliberalismo e sua belíssima ideologia de livre iniciativa?". E foi assim que lembrei de uma temática um tanto polêmica, a emissão de CO2.

A partir dessa perspectiva fiz uma breve pesquisa na internet sobre a emissão de CO2 proveniente do cigarro, e pude ter acesso a inúmeros textos, quase que essencialmente de ambientalistas e "doentes", desenvolvendo críticas a respeito.

Pois visto problemas ambientais, saúde e agregando a políticas públicas de "empecilhos para consumo" não pude tirar conclusão diferente: sinto que nossos governantes, tanto em âmbito nacional quanto internacional, estão tentando aí diminuir com a emissão de CO2 sem afetar aos produtos (mais investidos pelas classes dominantes mundiais) que mais atingem o meio ambiente como os grandes criadores de carne bovina, as áreas improdutivas incapazes de se restabelecerem pelas mãos dos empresários ou dos políticos e ao mesmo tempo não servindo nem para a reforma-agrária, o investimento em áreas verdes, preservação das poucas áreas florestais intocáveis e etc.

Sinto ver em breve propagandas da diminuição de emissão do CO2, com dados estatísticos falseados e infundamentáveis. Propagandas se gabando dos benefícios trazidos pelo governo em regência, propagandas que, como diria nossa sábia cultura popular, "tampam o sol com a peneira".

Como já disse, isso não é uma pesquisa é apenas um ponto de vista. Aos mais cientes do que venho a propor, por favor, sintam-se no dever de acrescentar algo a essa visão de uma leiga.

sábado, 12 de novembro de 2011

À burguesa do século XXI

Ei querida!

Cada dia que passa ta mais bonita em? Vaidosa, cuidadosa, e com personalidade forte! Ha um tempo atrás seria inspiração de muitos poetas, românticos, apaixonados, sonhadores... Que falta faz uma sociedade com homens de verdade né?

Pois é, mas hoje sua bela roupagem ta servindo pra moleque se inspirar no banheiro rs, fica difícil cobrar romantismo dos meninos.

Sua "personalidade forte" se limita ha um recalque tão nítido, onde valoriza a "indisponibilidade". Aprendeu pela dor (e com as frases do Caio Fernandes de Abreu) a ser "forte", fria, a desconfiar dos amigos e a humilhar os inimigos de salto agulha; tendo a Blair Wardolf inspiração ideológica (e monetária rs)... Tão superficial darling!

E a boca o que tem feito com ela? Formado palavras, expondo opiniões ou... Rs, continua servindo pra introduzir a genitália masculina?

É querida, já pensou no que vai ser quando crescer? Ou ta curtindo o "carpe diem"? Tanta coisa pra preocupar né? Qual vestido usar na próxima festa, superar o look daquela biiiiiitch que se destacou mais que você na ultima coluna social, comprar a nova coleção de sapatos DG, pintar seu cabelo de loiro como o da Britney... Ah claro, tentar superar aquela traição do filho do dono da empresa "Kick my Ass". Tá doendo até hoje né...

Mesmo com tantas dificuldades não pode deixar de se informar, além do mais é uma mulher de conteúdo! Lê a revista "Caras" assiduamente, "Veja" esporadicamente, "Kama Sutra" de cada dia! Coisas úteis pro seu dia-a-dia rs.

No que tem trabalhado? Ah claro, bumbum né? Não da pra deixar flácido não rs. Tem muita piranha na concorrência querendo dá de graça pro mesmo cara que você daria! Coitada das prostitutas, perdendo espaço no mercado pra essas vadias fúteis!


Mas você tem uma vantagem né? Topa sensualizar junto com outra amiga para a alegria do filho do dono daquela loja de roupas de marcas que você a-do-ra! Vale tudo por uma calça da Coca-Cola! E por um "gostosa" na sua foto do facebook.

E também, o uso de entorpecentes tem te ajudado nessa sua árdua rotina para se encaixar em algum lugar desse mundo. É a única coisa que você deseja certo? Ser AMADA por um cara rico, ser reconhecida pela sua COMPETÊNCIA que vai além da sexual, viver um perfeito AMERICAN DREAM com uma família estável. Sem mentira, sem dor, só com muito amor, saúde e dinheiro!

Tá difícil lidar com seus anseios humanos agregados aos anseios sociais né? Num da pra ser amada por um cara pobre, nem pra conquistar e tão desejada competência só com o próprio intelecto, precisa de do suor né? E de alguns gemidos bem ensaiados!

Compartilho com você minha querida amiga, a dificuldade de se auto-conhecer. Num é fácil ser livre dentro de um padrão como esse. Sua vida ta passando e você não está conseguindo se encaixar como queria, ou você se encaixou mas não conseguiu ainda ser feliz.

Mas nada que um silicone e uma lipoaspiração não prolongue sua felicidade. Esse mundo moderno tem tecnologias tão úteis não é mesmo? Mas discutiremos isso numa próxima ida ao cabeleireiro... Vejo você no próximo evento, usa esse vestido viu?! Ficou ma-ra-vi-lhoooo-so em você! E não mostrou aquela sua gordurinha, rs, amiga!

sábado, 5 de novembro de 2011

Praticando a auto-crítica.

Acreditando que a maioria das pessoas tem desejos, e principalmente os mais jovens constroem seu presente baseados em expectativas futurísticas essencialmente subjetivas, sugiro aqui a auto-crítica.

Desconsiderando a princípio valores morais, éticos ou qualquer outra palavra que carrega seus sonhos de significados pejorativos ou não, procuremos analisar nossos objetivos de uma forma a problematizá-los para buscar sentido.

Citando um “burgês”, o qual preza seus valores em ideologias neoliberais, se valendo pelo quanto ganha e pelo tempo em que mantém seu ganho. Jovem, estudando para manter o patrimônio do “papai” ou da “mamãe”, pré-vê sua realização pessoal após adquirir um jato, o qual se movimentará para passar férias em sua casa na Europa, ou a trabalho que constantemente terá de fazer em vários países do mundo e etc.

Agora um ponto de vista de um intelectual, que tem cede insaciável pelo conhecimento, anseia pelo dia que conquistará lugar de destaque entre os grandes pensadores de seja lá qual for o ramo, busca qualificações para dar a sociedade respostas inquestionáveis ha cada pergunta formulada. Independente do contexto que for inserido deseja sempre ser o portador da verdade, fornecedor do saber, que é oriundo de um sistemático, cauteloso e autêntico estudo promovido pelo mesmo e aplaudido por todos.

Compartilhamos uma visão marginal, de um indivíduo que indefere de anseios materialistas ou intelectuais, busca por uma vida digna, onde não dorme preocupado com o que terá para comer amanhã ou como sustentar sua família uma vez que o pai ou a mãe tem dificuldade de “lidar” com o dinheiro (e/ou adquiri-lo) e distribuí-lo entre as próprias necessidades básicas justamente com as dele mesmo e de seus irmãos mais novos, incapazes do trabalho; ele está sempre a procura do que comer, de como driblar a fome, de se preocupar com o que faz-se imprescindível para a sobrevivência humana.

Enfim, dado três pontos de vistas extremistas, introduzo aqui essa tal de “auto-crítica”. A busca constante de um foco longínquo do “hoje”, do “presente”, do que se tem em mãos... Afinal, de que vale? Realização pessoal? Felicidade, equilíbrio, dignidade, sabedoria... É isso que vale deixar passar todo seu presente em função de um futuro? Independente da posição social, do valor aquisitivo envolvido, da moralidade, da utilidade; demasiado foco será mesmo que vale a pena? E quando à aqueles que buscam o básico, esse “básico” se limita a apenas necessidades biológicas? Para quê tanto foco naquilo que se pode tocar, te pode ter, se pode mostrar?

A soberba, seja em qual for a perspectiva “física” que aqui situamos, ou seja: monetária, didática e/ou alimentícia, deve sempre ser questionada. A final, nenhum milionário se diz completamente realizado dentro do seu jato sem uma esposa ao lado, sem um filho, sem um abraço, sem um carinho. O mesmo acontece com esse intelectual “dono da verdade”, de que vale tanta informação sendo que todo ser humano tem o humilde desejo de receber amor, atenção, consideração, entre outros. De que adianta ter sempre mesa farta, porém não se sacia de sentido, de motivo, onde rege a paciência, o diálogo, os sorrisos e que sempre nos remete a mesma necessidade: ser amado. E pouca gente é amada quando o mesmo não ama, há não ser (acredito eu) que seja por Deus.

A fé tem muitas utilidades, pode até alienar, estreitar a visão de um indivíduo a respeito de um fato; mas indubitavelmente a fé num poder transcendental, seja Deus, seja Alá, seja alcançar o nirvana e afins, completa o homem, dá sentido as buscas pessoais equilibrando-as a mais simplória necessidade física, mental, espiritual: o amor.

Espero ter levado-os aqui a problematizar seus anseios intrínsecos embasados no amor, ou seja: amar o que faz, fazer com amor e compartilhar o amor. Mas indico não limitar suas perguntas a apenas essas perspectiva, a final, há um turbilhão de sentimentos que nos invade cada dia de nossa vida, e na mesma proporção vem perguntas possíveis de serem respondidas, bastam observar que elas existem e que são tão presentes quanto seus sonhos, ou até mais.


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Por que não fazer História.

Aproprio-me de um clássico pensamento do Friedrich Nietzsche: até que ponto você aguenta ouvir a verdade?
Eu, graduanda em história e apaixonada pela mesma, julgo-me com ligeira autoridade para lhe dizer o porquê “correr” dessa ciência.

Considere-a como um amigo, o qual tem infinitas afinidades e compartilha momentos memoráveis de sua vida. Aproveite essa consideração para enxergar a saída de emergência. Uma vez sendo "paixão desenvolvida" e não necessariamente "implicada" (como seu amor por pai, mãe, irmãos, etc.) acredito que seja mais fácil quebrar seu laço afetivo.

No decorrer do curso, rico em teorias, perspectivas e expectativas; você poderá escolher enxergar com certa minuciosidade as inúmeras lutas de cunho popular. Cada determinada fase da humanidade, haverá uma determinada classe subjugada como também haverá aqueles que lutaram pela dignidade que lhe foram tiradas (em troca de alguns valores materiais ou à um conjunto de idéias). Inspirador! As vezes.

Concomitantemente você poderá enxerga nessa perspectiva social-política que as classes subalternas nunca alcançaram seus objetivos puro; podem ter conseguido por um curto período, ou chegam perto de seu objetivo final mas não lhes são concedido a graça da vitória, ou pior ainda: terem sua ideologia, o motivo pelo qual se sentiram capazes de tentar algo novo, algo que se aproxima do justo, algo que lhes lembrem sobre sua condição de reais cidadãos, transvestida para a classe dominante (ou para classe dominante que se formará após sua luta teleologicamente belíssima!), para aqueles que lhes manterão subjugados e alienados aos próprios interesses (mesquinhos, antiprogressista, desumanos).

Isso foi um simples e superficial exemplo do quanto o curso de História pode não ser inspirador. A partir daí pode-se tirar óbvios questionamentos: por que lidar com fatos que brincam com sua condição humana que insiste ter esperança? Por que se focar em lutas que de alguma maneira são sempre subvertidas do desejo inicial? Quando é hora de viver ou deixar morrer? Pra quê expor sua fé e força ha um limite desgastante e que pode vir a ser paralisador? Qual é a finalidade de chegar tão próximo do fogo?

Acredito que dessa breve passagem é possível nortear você, leitor, a pensar duas vezes antes de escolher implicar-se nessa insana paixão.

Bom, uma vez considerando "História" um sujeito que se assemelha a um amigo, não podemos evitar aqui de discorrer algo mais subjetivo. Esse amigo que é capaz de testar sua paciência ha um limite jamais imaginado, de lhe colocar numa situação de extrema ferida no orgulho, de sufocar seu coração em exigências, reclamações, palavras de indescritível ofensa; amigo que projeta (propositalmente ou não) em você um parceiro perfeito que suporte toda a verdade de sua personalidade que aparece gradualmente, num (nem tão) longo processo de convivência... É exatamente o mesmo amigo (defeituoso, desgastante, asfixiante) que lhe apresenta cores do mundo que você jamais havia visto, janelas nunca notadas anteriormente, apresenta-lhe possibilidades se quer algum dia cogitadas, honestidade até então desconhecida fora do eixo familiar, lhe envolve num vínculo de tal forma que com mesmo tamanho sufoco você escolhe perdoar seu amigo de demasiado desgaste mental pelo fato de ver nessa convivência, nessa troca de conhecimentos, nesse emaranhado de cores, vantagens de acreditar no valor de singular amizade!

Uma vez dotado de livre arbítrio, deixo para você o desafio de dissertar sobre “Por que não fazer História” formando uma opinião consistente. Pois eu, Rafaela, escolho crescer com a dor provocada pela esperança que as vezes se inibe junta aos fatos generalizadores e céticos, escolho acreditar nas lutas mesmo que muitas vezes subvertidas, escolho ter fé em alguma coisa; e aproprio-me novamente de outra uma frase do mesmo filósofo Friedrich Nietzsche: aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal. Afinal, tudo sempre será uma questão de perspectiva.