quarta-feira, 13 de julho de 2011

Remar. Re-amar. Amar.

"Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também.Tá me entendendo? Eu sei que sim. Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena.
Remar.Re-amar.Amar."

Caio Fernando de Abreu

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Uma forma de amar

Bom, e se alguém me perguntar: o que é amor pra você? Responderia assim...

amor é quando você é capaz de ser amigo de uma pessoa mesmo sabendo de todas as barbáries que ela é/foi capaz de dizer sobre você,

amor é você aceitar em silêncio tal desventura em respeito a um sentimento maior que essas críticas infundamentáveis,

amor é perder a amizade de um para manter a outra, e esperar o tempo lhe proporcionar o momento em que recuperará aquela que teve que deixar...

amor é ter completa consciência do defeito do amigo, e mesmo que este defeito lhe custe árduas feridas ainda assim consegui abraça-lo e honestamente chama-lo de amigo,

amor é sobrepor bons momentos e velhos sentimentos à exímias ofensas,

amor é tirar da sua dor uma oportunidade de respeitar e perdoa a limitação do próximo,

é chorar, sangrar, se questionar, revoltar sem pronunciar um ruído se quer;

é esquecer o orgulho, as feridas, as perdas, as mentiras em nome de um sentimento.


Em suma, hoje uma forma de ver o amor e amar para mim é silenciar por livre e espontânea vontade, afim de perpetuar e corroborar os laços de amizade. Nem sempre abrindo seu coração, nem sempre sendo honesto, mas sempre, irrevogavelmente, fiel.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

O Espelho de Próspero

" Próspero Morse se olha no espelho da América Ibérica, e pouco a pouco a imagem refletida vai entrando em foco. Por trás da nuvem espessa de estados nacionais frustrados, etnias e sociedades desgarradas, caudilhos grotescos e trágicos, insurreições que terminam em sangue e desespero, projetos abortados de modernização e industrialização, parece ser possível vislumbrar uma realidade mais sólida, uma verdade mais profunda, e, ao mesmo tempo, a razão do equívoco do espelho: a América Ibérica está desfocada porque ela se contempla no espelho da próspera América inglesa e, na busca inútil da imitação do outro, perde sua própria essência. Os latinos não percebem que o liberalismo, a democracia representativa, o racionalismo, o empirismo científico, o pragmatismo, todos estes ideais alardeados pelos ricos irmãos do Norte não só são incompatíveis com a realidade mais profunda da América Ibérica, como também marcam a decadência e a falta de sentido da própria sociedade capitalista e burguesa que os criou.

Se os latinos olhassem melhor, no entanto, talvez vissem que existe um outra imagem do mundo próspero, a imagem daqueles que, como Morse, se desesperam e conseguem até zombar das aflições e mesquinharias de seus compatriotas, de sua obsessão com as coisas miúdas e materiais, e transcender sua falta de sentido histórico, seu desprezo pelas questões de espírito e sua aridez. Eles talvez se espantassem ao perceber que este outro próspero encontra sua redenção na contemplação do mundo latino, ou mais precisamente, na busca quase heróica de sua essência perdida. É na tradição ibérica, nos diz Morse, pela sua fidelidade à busca de uma visão abrangente e unificadora do mundo, pela crença profunda, mesmo que inconsciente, em uma realidade social que transcende o indivíduo e é mais que o somatório dos interesses individuais e suas servidões, que se poderia encontrar uma resposta adequada à crise moral e existencial do mundo anglo-saxão, e, por reflexo, da América Latina. Não haveria, no entanto, razões para espanto, porque disto se trata, afinal, no jogo de espelhos: de buscar constituir a própria imagem na contemplação do outro, e dar ao outro, ao mesmo tempo, a ilusão de que, porque ele se percebe no primeiro, ele também existe."

Simon Schwartzman sobre:

"O Espelho de Próspero" Richard M. Morse (1988)

sábado, 11 de junho de 2011

O por-do-sol anunciou

É, acabou
A fonte esgotou
O tempo fechou
O por-do-sol anunciou

Procuro por aquelas rimas
Que um dia via a cada esquina
E que por atrás das sombras delas
Encontrava as coisas mais belas

Procuro por aquela magia
De um coração pouco batido
Sem desgosto, sem medo
Sem dor ou desrespeito

Procuro por coisas, situações, sentimentos
Que convenhamos, não faz a menor falta
A beleza da vida é viver cada fase
Deixa-la passar, ficando a saudade

Recordações, emoções, memória
Sorrindo e lembrando da singelas história
Com a maturidade adquirida
Através da discência tão requerida

Esquecendo
Toda a mágoa que aprendi a esconder tão bem
Disseminando
Todo amor que vi que pode ser útil a alguém

É, começou
A fonte transbordou
A primavera chegou
O por-do-sol anunciou

terça-feira, 10 de maio de 2011

Clichê

Quem nunca precisou de se respeitar?
A dificuldade esta mais na cobrança que no problema,
Mais no desejo que na necessidade
Mais no "por que" do que no "para que".

Força e delicadeza
Utopia e ceticismo
Tradicionalismo e dialética
Você superando, e entendendo, você.

Talvez um pouco de drama,
Talvez um pouco de inconformismo
Ou alguns dias cinzas,
Te deem o que você precisa.

O dia inteiro não seria exagero
O "ser" do "ser humano" comete erros
E precisa deles para recriar
E se movimentar

Então me responda: quem nunca precisou de se respeitar?
Entender as coisas que fazem parte do "ser" do "ser humano"
Inclui ser limitado
Simplesmente não conseguimos ser, estar, fazer alguma coisa.

domingo, 17 de abril de 2011

Apesar de você...

ter feito a diferença algum dia da minha vida, eu prossegui.
Conheci pessoas, lugares, tive outras experiências sabe?
Me diverti, decepcionei, me encantei.
Amadureci, aprendi, reconstitui.

Apesar de você ter sido tão singular eu vi, e vivi, o outro dia.
Vivi como qualquer pessoa normal, com problemas e risadas.
Vi a beleza, a tristeza, a dúvida e a certeza.

Nem sempre senti sua falta, nem sempre te respeitei, nem sempre acreditei ou confiei.
Mas sempre questionei (e questiono!) tudo que ouvi, e pensei...

Apesar dos pesares e das delícias, eu tentei prosseguir.
Conheci pessoas, lugares, tive outras experiências sabe?
Mas, volta e meia você volta. De alguma maneira, por algum motivo e meio, sempre volta.

Volta como se nunca tivesse ido, volta como se estivesse apenas temporariamente inibido.
Não volta, mas apenas acorda.
Me acorda pra aquela realidade que me lembra que mesmo amanhã sendo outro dia, ainda tem você. Ainda penso em você. E ainda... duvido de você.

E mesmo depois de tanto questionar, duvidar, desejar e rezar... a resposta nenhuma consigo chegar. Acho que por insegurança. Ou por falta de confiar.

Acho também seja por misturar o ato de pensar com o de sentir, a nenhum caminho consigo prosseguir.

Apesar de você... Amanhã hei de apreciar, e compreender, tudo com autonomia e neutralidade. E um dia uma resposta concluir, e nela crer; crer na conclusão que cheguei sobre você.

Mesmo com as incertezas, a tendenciosidade, amanhã há de ser outro dia. O dia que você volta como se estivesse apenas inibido e me acorda. Ou não.

domingo, 10 de abril de 2011

O vazio do coração


Ela sente falta.
Da presença, do carinho, do olhar.
Mas sempre supera, lida com a vida que não a espera.

Segue seu caminho, seus estudos,
feliz com sua família.
Mas ela sempre vai sentir falta.

Falta daquele olhar que só vem de um lugar,
mesmo que ela receba vários outros tão importantes quanto.
A ausência da comparência sempre deixa a desejar.

Falta do sorriso, do ombro amigo,
que as palavras no telefone não as suprem,
nem as promessas que se distanciam da verdade.

Onde esta você, além de aqui dentro de mim?
Neste lugar que não sei onde fica, só sei que está incompleto
Esperando pelo seu afeto.